Falta d’água em Niterói deve acabar nesta quarta-feira

Muitos bairros de Niterói foram abastecidos por caminhões-pipa durante toda a terça-feira. Foto: Alcyr Ramos

Nesta terça, o abastecimento começou a chegar a alguns bairros, mas nem todos receberam água. Segundo a Cedae, o reparo do vazamento já foi finalizado

O vazamento no sistema da adutora da Estação Imunana-Laranjal, que provocou a interrupção na distribuição de água nos últimos dias, vem causando transtornos.

Em bairros de Niterói, como Santa Rosa, Jurujuba, Fonseca e Pendotiba, houve colégios que chegaram a suspender as aulas por conta da falta d’água e, em São Gonçalo, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Colubandê teve dificuldades para atender os pacientes. Muitos carros-pipa atenderam as cidades afetadas, que incluem, ainda, Itaboraí e a Ilha de Paquetá.

Segundo a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), o reparo do vazamento foi finalizado à meia-noite da última segunda-feira e o abastecimento deve ser normalizado hoje – pois quando a distribuição é interrompida, leva cerca de 48 horas para voltar ao cronograma normal.

Ana Claudia santos, de 41 anos, gestora de Recursos Humanos, conta que, na sua rua, foi preciso um caminhão-pipa.

“O abastecimento foi comprometido aqui na minha rua, em São Francisco, há pelo menos dois dias. Hoje entramos em contato com a Águas de Niterói e nos mandaram um carro-pipa. Pela manhã, voltou a cair água, mas foi muito pouca. Por enquanto, o problema está sob controle. Moro em uma rua de subida, em um dos últimos prédios da via. Se não fosse pelo carro-pipa, teríamos um grande problema”, afirma Ana Claudia.

Marcio Silva de Araújo, síndico de um condomínio em Icaraí, de 71 anos, diz que o problema afeta seu prédio antes do final de semana.

“Estamos sem abastecimento desde a sexta-feira. Recebemos um carro-pipa na manhã de ontem com 20 mil litros, o problema é que já está acabando. Nosso condomínio tem 43 apartamentos, onde moram 96 pessoas, em sua maioria idosos. Estamos sem fazer coisas essenciais em casa”, finaliza o aposentado.

Escola – Ontem, pela manhã, o Centro Educacional de Niterói (Centrinho) teve que liberar 670 alunos das aulas, pois não havia água na cisterna. Segundo o diretor, Luiz Henrique Xavier Mendonça, a Águas de Niterói se comprometeu a enviar um carro-pipa, mas isso não seria suficiente para abastecer o local.

“Um carro-pipa abastece apenas 30 centímetros da minha cisterna. A escola gasta muito e, como não cai água desde domingo, a situação ficou complicada. Mandei vir dois carros do Rio de Janeiro para tentar encher a cisterna, para conseguirmos dar aulas amanhã. Estamos cozinhando com água mineral. É muito difícil essa situação”, lamentou o diretor.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Colubandê, em São Gonçalo, também teria ficado sem água durante toda a segunda-feira. Segundo uma fonte que preferiu não se identificar, a equipe conseguiu quatro carros-pipa para não prejudicar o atendimento. A coordenação da unidade teria conseguido três carros por meios próprios e o Corpo de Bombeiros teria doado mais um.

“Ligamos para a Cedae para saber se poderiam nos enviar um carro-pipa, mas eles alegaram que não tinham carros o suficiente”, contou a fonte.

Ontem, a situação já havia sido normalizada.

A Cedae continua pedindo aos moradores de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e da Ilha de Paquetá que economizem água e evitem desperdícios para evitar a falta do produto. Os moradores devem evitar lavar carros e calçadas, tomar banhos demorados, regar jardins e quintais nas próximas 24 horas.

Em Travessa, problema há 14 dias

A suspensão emergencial do abastecimento prejudicou moradores do bairro Porto Velho, em São Gonçalo. Ontem pela manhã, algumas ruas já estavam recebendo água normalmente, mas na Travessa Bandeirantes a água não teria chegado e o problema seria anterior ao reparo do vazamento em Imunana-Laranjal. A falta já estaria completando 14 dias sem água.

De acordo com a empresária Arlinda Duarte, de 54 anos, a bomba estava funcionando normalmente, mas a água não subia até as casas.

“A bomba está ligada 24h, mas a água não sobe. Acredito que estejam desviando a água para outras áreas”, comentou a empresária.

Os afazeres básicos de casa estão comprometidos. Segundo os moradores, é uma grande dificuldade fazer comida, tomar banho, lavar roupa e até mesmo trabalhar.

O empresário Obed Costa, 66 anos, precisa fazer em torno de 10 viagens por dia, com um galão de 200 litros para tentar abastecer parte de sua cisterna de cinco mil litros.
“Estou gastando combustível, me cansando, pois tenho que ir diariamente à rua de baixo pegar água na casa do meu filho”, comenta Obed.

Na travessa, há uma grande quantidade de famílias, com crianças, bebês de colo e idosos. O sogro da dona de casa, Rosana Cristina Moisés dos Santos, 43, tem 92 anos e mora sozinho na Travessa. A falta de água está obrigando todos os moradores a se deslocar e pedir água aos vizinhos da Travessa Lafaiete.

“Moro aqui há 40 anos e isso nunca aconteceu. Minha mãe de 75 anos está tendo que carregar baldes de água. É horrível”, disse a dona de casa.

Questionada, a Cedae informou que os técnicos do setor operacional vão vistoriar a rede distribuidora da Travessa Bandeirantes para verificar o problema e o funcionamento das tubulações.

 

 



Fonte: http://jornal.ofluminense.com.br

 



 


Data do artigo: Ter, 06 de Dezembro de 2011

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